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Histórias de Setúbal e dos seus bombeiros voluntários III - O baptismo de fogo
Quinta, 11 Fevereiro 2010 16:38

Primeira_viaturaO baptismo de fogo da Associação dos Bombeiros Voluntários de Setúbal foi no dia 27 de Janeiro de 1884 quando, pelas onze horas da noite, como então se dizia, foi declarado um incêndio através do toque de dez badaladas das torres dos sinos, logo em São Sebastião, na Travessa Francisco Pereira, número 12, na loja do prédio, isto é, no rés do chão.

A travessa tinha, ironicamente, o nome do pai do Comandante da Associação dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, o Henrique Pereira, que tinha falecido em Novembro de 1869 e era considerado “o primeiro industrial da cidade”, além de ser um “protector das classes laboriosas e benfeitor da pobreza”. A vereação da CMS da altura, como homenagem, atribuiu o nome do industrial aquela travessa.Por acaso, estava situada na freguesia de Santa Maria, pelo que houve engano no alarme das torres. Mas como a cidade era pequena e o incêndio foi à noite, o engano deve ter sido corrigido rapidamente. Os bombeiros voluntários compareceram depressa, com 16 homens dos 22 disponíveis, e levaram duas bombas e o carro de escadas. Foi um incêndio pouco importante materialmente. Segundo o registo oficial, ardeu “uma porção de palha apenas”, mas foi um incêndio muito significativo para o corpo activo. O primeiro patrão, José Manuel Correia, foi quem dirigiu o ataque ao sinistro.

Passado cerca de um mês, no dia quatro de Fevereiro, novo incêndio, desta vez ao meio-dia, na Rua Direita de Tróino, no número 146, no primeiro andar. Já compareceram 18 dos 24 bombeiros existentes no corpo activo. Uma criança a brincar com o lume tinha incendiado uns trapos que de-pois pegaram fogo a uma cama. Este fogo foi o primeiro mencionado na imprensa setubalense, que salientou que “compareceram com uma rapidez admirável os nossos bombeiros voluntários e logo após eles o pessoal da Câmara”. O jornal Gazeta Setubalense elogiou especialmente a actuação do bombeiro número 16, o Agostinho do Carmo. É interessante notar a frase escrita pelo jornal “logo após eles o pessoal da Câmara”. Nascia neste dia a rivalidade, sempre latente, entre as duas corporações de bombeiros na sua porfia em chegar primeiro aos incêndios e que durou dezenas de anos, como iremos ver nos capítulos seguintes.

 


In "Os 125 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal", de Alberto Pereira, em fase de revisão, a editar brevemente

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