| Intervenção do Comandante do Corpo de Bombeiros – Paulo Sedas |
|
|
|
|
125.º Aniversário da AHBVS 19 de Outubro de 2008
Segundo um dos maiores Mestres da Mente que a Humanidade teve a felicidade de conhecer, assinalamos, na nossa memória, os acontecimentos mais marcantes das nossas vidas, como se de monumentos mentais se tratasse.
Assim, a passagem do centésimo vigésimo quinto aniversário desta casa, não podia decorrer senão como um marco assinalável para os que aqui estão.
Tivemos o privilégio de poder relembrar o lugar onde nos tornámos verdadeiramente bombeiros, pela mão de homens que as melhores famílias da cidade entregaram à causa que servimos, em finais de novecentos!
Fizemos questão de ir ao lugar onde repousam aqueles que aqui estiveram antes de nós e que fizeram a sua parte para sermos grandes!
Cabe-nos estar aqui, hoje, volvidos tantos anos, dando continuidade ao seu sonho de serviço e de luta contra o sofrimento.
Sinto-me muito honrado por ser o Comandante de uma casa que conta uma história desta dimensão e faço quanto posso e sei para poder estar à altura da tarefa que me foi confiada, enquanto compromisso sagrado que assumi convosco os que me seguem.
E foi em nome de tudo isto que rompemos diametralmente com o passado recente que quase nos aniquilou.
Passado que, espero, nunca mais volte.
Pois, para trás ficam os tempos da sucata, das instalações degradadas, das dívidas e, sobretudo, da mentira!
Com a sua entrada em funções, este Comando rapidamente se preocupou com a organização e muito se tem feito, mas muito subsiste por fazer.
Amanhece um novo dia de esperança, mas a caminhada é longa. E nem sempre é linear. Faz-se de avanços e retrocessos, em direcção àquilo que desejamos para esta Instituição.
A Direcção que nos nomeou dá-nos a segurança indispensável para trabalhar e nunca lhes estaremos suficientemente gratos por terem devolvido esta casa à vida.
As simples condecorações que propusemos foram apenas a forma que encontramos para dizer: obrigado!
Sabemos o que temos de fazer, mas eles possibilitam que se faça!
Começámos por alterar a visão estratégica e encarámos o nosso papel num dispositivo municipal que apresenta especificidades, assumindo-nos como um parceiro do corpo profissional da cidade e não como um seu concorrente.
A cooperação com este corpo assumiu uma considerável dimensão com o projecto pioneiro do Centro Municipal de Operações de Socorro, através do qual as intervenções passaram a ser verdadeiramente conjuntas.
Mudou a filosofia das viaturas velhas, que só serviam para se poder dizer que tínhamos muitas…pois avariavam vezes sem conta a caminho das intervenções…
Deixámos de estar “orgulhosamente sós”…
Cada vez mais nos afirmamos como parceiros de um sistema em que procuramos ser sustentavelmente modernos.
Acabámos de inaugurar quatro viaturas e uma embarcação. Duas viaturas e a embarcação são novas.
A outra viatura é especial. É a maior que os Bombeiros Voluntários de Setúbal já tiveram. Nem sequer está concluída. Vai ter se der terminada, já amanhã.
Não foi adquirida por ser grande, mas porque é necessária num concelho onde não existe mais nenhuma.
Trata-se de um veículo tanque de grande capacidade que tem por finalidade disponibilizar uma quantidade suficiente de água para combate a incêndios em locais em que esta não esteja disponível, bem como efectuar abastecimento às populações, se for caso disso.
A sua aquisição foi devidamente equacionada e foi ponderada a opinião de pessoas com responsabilidades na protecção e socorro, designadamente o comando municipal, entre outras.
As restantes viaturas são uma ambulância de transporte múltiplo, que vem reforçar substancialmente a capacidade para transporte de doentes em cadeiras de rodas, na medida em que o Corpo de Bombeiros apenas dispunha de uma viatura deste tipo; uma embarcação de socorro que se afigura necessária numa região em que as intervenções em meio aquático são uma constante e, por último uma viatura de comando.
Éramos manifestamente deficitários quanto a meios deste tipo. Estávamos praticamente privados de capacidade de comando e controlo de uma intervenção. A antiga viatura, cedida pelo património do Estado, nem sequer dispunha de rádio. Certa vez chegou a perder peças no caminho. Era uma herança do passado.
Também do passado ficou a viatura ligeira de combate a incêndios, que, não sendo nova, nem sido adquirida agora, foi completamente transformada. Foi carroçada com peso a mais e frequentemente partia eixos e danificava embraiagens. Tinha pouquíssimos quilómetros e quase nunca era usada. Foi completamente restaurada e foi instalado um “kit” de intervenção florestal.
Especial atenção tem sido dada à formação do pessoal, bem como à aquisição de equipamentos de protecção individual.
Procuramos realizar a formação em conjunto com outros corpos de bombeiros. Exemplo disso são os numerosos cursos disponibilizados pela Companhia de Bombeiros Sapadores, entre os quais o de Controle de Acidentes com Matérias Perigosas, TAT e Salvamento e Desencarceramento, ou a formação para progressão na carreira que realizámos em conjunto com os corpos de bombeiros de Palmela e de Águas de Moura.
Pretendemos estar à altura dos desafios que o futuro nos coloca, certos de que os bombeiros do novo século serão bem diferentes.
Importa adaptarmo-nos a todo um edifício legislativo que enforma o sector e que lhe induzirá, inevitavelmente, substanciais alterações.
Porém, reformar os bombeiros portugueses não se consubstancia unicamente na produção de um regime jurídico, ainda que bastante evoluído. Digo-o como jurista, como bombeiro e como homem.
Podemos ter as melhores regras, mas, se não tivermos forma de as por em prática, servirão apenas para rechear as nossas bibliotecas.
Refiro-me, quer à formação, quer às formas de financiamento, sem as quais nenhum corpo de bombeiros estará em condições de responder às exigências de qualidade que nos são propostas.
Em conclusão, espero que a passagem deste aniversário marque outra passagem. A passagem dos tempos sombrios e perversos de um passado recente para horizontes soalheiros de um futuro que se deseja, à imagem e semelhança dos homens valorosos que nos criaram e dos feitos heróicos que vivemos desde então.
Tenho dito.
|







